terça-feira, 18 de junho de 2013

Diário de solidão - Terceiro dia

Diário de solidão - Terceiro dia Quanto custa um pouco de paz¿ Será que tenho que chamar os que conheço para fazer uma manifestação comigo¿ Chamaria todos àqueles que só de olhar percebem que não sou mais o mesmo, aqueles que me perguntam o que aconteceu só porque sabem que pouca coisa me abate no mundo e se eu aparento estar sem animo é porque eu não tenho escolha. Escreveríamos cartazes juntos; TRAGA DE VOLTA O MEU AMOR ME LIVRA DESSA SOLIDÃO NÃO SEI VIVER SEM VOCÊ VOCÊ É O MDC DA MINHA VIDA MEU AC/DC E em uma manifestação pacifica e sem gente pelada, percorreríamos as ruas da cidade reclamando do “abandono de incapaz”. Sim, porque não sou mais capaz de viver sem ela. Quanto tempo um ser humano aguenta apenas existindo¿ Não quero descobrir. Nem aguento mais essa dor. Eu realmente deveria sair nas ruas para reivindicar minha vida. Não existe nada mais democrático do que amar, do que estar livre para amar quem você quiser sem nenhum preconceito. Uma pena que no mundo de hoje você tenha que lutar para amar. Porque as pessoas não querem que você ame. As lésbicas querem amar e ninguém deixa, os gays masculinos querem amar e ninguém deixa, os héteros querem amar e ninguém deixa. As vezes os perseguidos de tanto censurados resolvem oprimir. Eu só quero a “sorte de um amor tranquilo” sem a interferência de gays, lésbicas ou héteros. Sem precisar reivindicar em sociedade o direito a fazer a melhor coisa que um ser humano é capaz. Sim, se amar não for a melhor coisa que fazemos, o que mais seria¿ Enquanto sonho com manifestações por amor, para amar, só me resta ficar calado, com cartazes nos meus olhos que não negam o protesto silencioso de quem está longe do seu amor.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Diário de solidão - segundo dia

Diário de solidão - Segundo dia Você já esteve em “um lugar que nunca conheceu, mas jurava que já tivesse ido lá”? Sinto saudade das conversas reveladoras, dos papos sem pretensão, prosas sem compromisso, poesias de juramento, diálogos de vida e amor, sinceros, honestos, únicos e inesquecíveis, ainda que não sejam usadas palavras, apenas com faróis altos, por exemplo. É disso que sinto falta; da surpresa familiar. Da rotina imprevisível. Da paradoxal segurança de não se acomodar. Tranquilidade, cumplicidade... Felicidade. Sinto falta dos crimes de amor. Sim, porque com permissão, roubos não são assaltos, a apropriação lhe foi outorgada e ela aproveitava bem; me roubava o fôlego sempre que possível. Meu pequeno tesouro nunca teve tanto valor até que nossas riquezas se confundiram. Ah como aquele jeito único me faz falta, uma mulher autentica que vazava originalidade transbordando sem esforço toda beleza de ser diferente. Mas “onde esta você agora alem de aqui dentro de mim”? Eu não lembrava quanto tempo durava uma noite. Parece interminável. É como se o sol se negasse a acabar com essa escuridão e adiasse ao máximo a sua chegada. Porquanto tempo o meu sol se negara trazer sua majestosa luz que traz vida a viela da minha existência? “Ninguém vai dizer que foi por amor, todos vão chamar de derrota” a minha desistência. Esse é só mais um dia, eu sou apenas um cara e ela é a solução para que meus dias não sejam iguais e para que eu seja a melhor versão de mim mesmo. Enquanto isso; choro, sonho e me perco.

Diário de solidão - Primeiro dia

Diário de solidão - Primeiro dia Lembro da ultima vez que me mudei. Nos primeiros dias tudo era estranho. Não conseguia me sentir confortável, não parecia com minha casa porque eu não tinha nenhum sentimento de pertencimento ao lugar, não me sentia protegido, faltava a segurança. Depois você se adapta, se acostuma e transforma o lugar em seu. Mas leva tempo até isso acontecer. Uma casa. É mais ou menos assim. Ou talvez assim o seja. Afinal um amor é um lar. Se é possível você se sentir perdido na sua própria casa, imagine-se sem teto. Solidão é falta de lar. E essa saudade é a falta do encontro que me deu prazer profundo. Prazer em viver, em buscar ser, em estar, em amar. Tolo, superficial e displicente. Desconstruir o seu lugar pela inabilidade de amar é paradoxalmente engenhoso. E o resultado é o oco de agora. Quando me volto as lembranças começo a esbarrar em tudo como se a casa estivesse no escuro e alguém “mudou as certezas de lugar para não me magoar”, só que me magoa não entender o caminho, não ter certezas e não te encontrar. E no oco de meu eu, esqueço como é cuidar de mim. Já tem meses que me cuidam. Que me sonham, que me planejam em silencio... Vamos ver um filme (Faroeste Caboclo)? Que tal adotar dois filhos? (Para o medo... existe o improviso) Ir ao parque de diversões? Talvez o circo... Vamos discutir a nova MPB em meio ao rock punk horror psicodélico de alguma banda setentista? Ou prefere planejar bobagens de viagem? No final a gente sempre morreria de rir... porque a felicidade Fica bem aí Do teu lado, do meu lado. Sim, foi como um vagalume cego por sua própria luz, que voei errado. Me sentia um rei com você e esqueci o que deveria sempre lembrar... “I'm just a human being, I will take the blame, Bust just the same, This is not me… You see? Believe... I'm better than this”. Ou deveria ser. O que eu mais queria era que “Before I disappear... Whisper in my ear... Give me something to echo… nesse oco que sou eu com a falta de você. E enquanto padeço imerso em solidão meu corpo desiste de luta contra essa magoa. Esse é apenas o primeiro dia de momentos que não sei contar. Um dia, uma semana, um mês, oito meses... onde você está?